quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

2007-2008 Um ano de curso...




...para ser professora.
Um dia por semana (terça-feira) estou com meus alunos de 4 e 5 anos. Para eles, sou a professora da terça! A diretora que està nessa classe o resto da semana aproveita da terça para todas as tarefas administrativas. Minha escola chamada "Fribourg" é localizada num bairro de periferia da cidade de Besançon de +/- 120 000 habitantes.


Os outros dias da semana, sou eu que vou para escola! Esse ano estudo... tudo ou quasi! Estudo todas as matérias do programa escolar Francês para alunos de 2 até 10 anos.


Tenho montagnas de perguntas para vocês...
- Para um aluno brasileiro, quando comença o ensino da leitura?
- Como é organizada a semana para o pre-escolar?
- Como é feito o ensino das sciências?...
Essas foram as primeiras perguntas!

Agathe



domingo, 18 de novembro de 2007

FAZENDA... OCUPAÇÃO... ASSENTAMENTO... BAIRRO

O bairro Nova Santa Marta passou a figurar no mapa da cidade neste ano. (unidade nº 39 Fonte: Diário de Santa Maria, 09/01/07, p.8-9)

FAZENDA SANTA MARTA EM 1992

Ocupação/assentamento em 2000


Fonte: SCHERER, Maurício de Freitas. Nova Santa Marta: Uma Evolução Histórico-Espacial. Santa Maria : Universidade Federal de Santa Maria, Centro de Ciências Naturais e Exatas, Departamento de Geociências, Grupo de Pesquisa em Educação e Território, 2005.


sexta-feira, 16 de novembro de 2007

NOVA SANTA MARTA E A ANÁLISE DE DISCURSO (franco-brasileira)

Minha dissertação de mestrado tem por objeto de estudo discursos formulados no seio da comunidade Nova Santa Marta...

IMAGENS - DANIELLE MITTERAND NA NOVA SANTA MARTA EM 2001


LES VISAGES 1 - Danielle Mitterand na Nova Santa Marta em 2001

Em 2001, sob os holofotes do Fórum Social Mundial, a ex-primeira dama francesa, Danielle Mitterand, visitou a Nova Santa Marta. Na oportunidade, ela declarou:

"Estar aqui é ter um aprendizado. Hoje, no mundo, todas as experiências, mesmo que locais, precisam se somar, se conhecer..." (A Razão, 29/01/2001).

sábado, 3 de novembro de 2007

Uma prática pedagógica que respeita a história...



Na Escola, tanto alunos como demais membros da comunidade participam de projetos que incluem atividades como: grafite, dança de rua, capoeira, música, teatro e informática; assim como de cursos promovidos pelo Centro Social que visam à geração de trabalho e renda.
A proposta pedagógica também é diferenciada, buscando formar alunos identificados com a comunidade e capazes de refletir sobre a sua situação. Para tanto, os alunos participam efetivamente do processo que decide os ‘temas’ a serem desenvolvidos ao longo de um semestre letivo. Este processo envolve levantamento de temas de interesse dos alunos, dos quais alguns pré-selecionados vão ser objeto de “campanha eleitoral”, isto é, os alunos se dividem em grupos para a confecção de panfletos, cartazes e defesa do tema, por meio de uma exposição oral; só então ocorre a eleição do tema.

Précisions sur la spécifité du contexte

Trecho que trata da especificação do contexto da comunidade, redigido pela profª Hélène, na proposta de intercâmbio apresentada à Escola.
Lors du Forum Mondial à Porto Alegre en 2001, le quartier de Santa Marta a éte un des exemples cité et visité par des experts mondiaux dans les nouveaux mouvements sociaux de base.
Son fonctionnement administratif, socio-culturel et éducationnel se différencie des quartiers traditionnels parce que son organisation est faite de telle façon que tout est décidé par ses habitants: rien ne se passe sans que ses habitants ne le veuillent.
Les luttes symboliques pour la citoyenneté sont un lieu de mémoire et la vie associative y est tenue droitement.
La grande majorité des décisions se déroulent à l'intérieur de l'école.
Nous pouvons même affirmer que le lieu du partage et de organisation sociale du quartier.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

O QUE É PERIFERIA? O QUE É COMUNIDADE? QUEM É?


PARA SE TER UM PANORAMA SOBRE COMO OS ALUNOS SE PERCEBEM, COMO VÊM A COMUNIDADE E COMO INTEGRANTES DELA, VAI UMA DICA INTERESSANTE:
O VÍDEO EDITORADO PELA PROFª VANESSA TRAZ UM CONJUNTO DE FOTOS QUE FORAM CLICADAS PELOS ALUNOS OBJETIVANDO RESPONDER A QUESTÃO: SOU PERIFERIA? A FOTO ACIMA, ONDE FIGURA A ESCOLA MARISTA SANTA MARTA, É UMA DELAS.

AS RESPOSTAS SÃO BASTANTE INTERESSANTES DE SE VER, CLIQUE, VALE A PENA!


COMUNIDADE EM FOCO


A foto acima, obtida no mês de agosto nas dependências da Escola e Centro Social Marista Santa Marta, marca a ocasião em que a professora Hélène Leclercq esteve em Santa Maria para firmar acordo de cooperação entre a Escola da comunidade Nova Santa Marta e a Universidade de Franche-Comté, na França.
A Escola é pioneira em se estabelecer na ocupação e tem uma proposta que visa à educação voltada às necessidades da comunidade, respeitante à sua história de lutas por melhorias sociais. É esse cenário que buscaremos trazer à tona, por meio da troca de experiências entre professores da escola, convidados e estudantes de pós-graduação franceses.
O acordo prevê ainda a vinda de professores europeus para participarem de atividades educativas na Escola e Centro Social Marista. Até o momento, há a expectativa de que no início do próximo ano cheguem dois professores à comunidade para trocarem suas experiências das cités francesas.
Minha participação aqui objetiva trazer um olhar que eu chamo de intervalar, de alguém que não está nem fora e nem dentro da comunidade, mas nas bordas, em consonância à minha história de vida e, desse modo, por identificação. Nesta perspectiva, venho realizando trabalhos acadêmicos e minha dissertação de mestrado, buscando focar discursos que se configuram em cenários onde há muito pra ser dito e visto, onde impera a vontade de luta.

Na foto (da dir. para esq.) Rejane Arce Vargas (Mestranda em Estudos Lingüísticos/UFSM, RS); Profª Hélène Leclercq (UFM de Franche-Comté); Profª Taís Martins (Escola Marista Santa Marta - Mestranda em Estudos Lingüísticos/UFSM, RS) e Profª Vanessa Nogueira (Escola Marista Santa Marta)

História da Escola Marista Santa Marta

Na região oeste da cidade de Santa Maria está a comunidade da Nova Santa Marta, originada de uma antiga fazenda que um grupo de famílias pertencentes ao Movimento Nacional de Luta pela Moradia ocupou em dezembro de 1991. Atualmente o local é de propriedade do Estado do Rio Grande do Sul.

A história desta comunidade iniciou em sete de dezembro de 1991 quando um grupo formado por cinqüenta e quatro famílias integrantes do Movimento Nacional de Luta pela Moradia se instalou na antiga fazenda Santa Marta, que já havia sido desapropriada pelo Governo do Estado com o objetivo da construção de um núcleo habitacional financiado pela COHAB (Companhia Estadual de Habitação). Estas famílias eram oriundas de diversas vilas da periferia de Santa Maria e de cidades próximas. Receberam a denominação de sem-teto devido a falta de infra-estrutura inicial da ocupação da área: a instalação ocorreu em barracas de lona e plástico e no local não havia energia elétrica nem água.

As famílias sobre os lotes foram aumentando e hoje a Nova Santa Marta é um núcleo habitacional composto por seis vilas: Sete de Dezembro, Dezoito de Abril, Dez de Outubro, Alto da Boa Vista, Pôr do Sol e Núcleo Central. Estima-se que residam cerca de 4 mil famílias e aproximadamente 18.000 pessoas.

A ocupação desordenada da Nova Santa Marta gerou uma série de problemas: instalação de residências em áreas de risco, produção de lixo sem o devido recolhimento, ausência de um sistema de esgotos, proliferação de insetos e parasitas, acessos precários (ruas), falta de arborização. Somando-se a tudo isso, a comunidade convive com a falta de policiamento, Postos de Saúde, Escolas para atender a demanda de crianças e jovens em idade escolar, áreas de lazer e recreação. Os moradores da comunidade também enfrentam o problema da discriminação: ao solicitarem emprego no Centro da cidade ou relatarem onde moram, geralmente são menosprezados por residirem numa área de surgiu de uma invasão. O termo sem-teto é usado com o objetivo de menosprezar os que residem na Nova Santa Marta.

Dentro deste contexto está inserida a Escola Marista de Ensino Fundamental Santa Marta, com a intenção de transformar a vida e a situação das crianças e dos jovens, especialmente dos menos favorecidos, oferecendo-lhes uma educação integral, humana e espiritual, baseada em um amor pessoal para com cada um deles.

A inauguração da Escola, no dia 7 de março de 1998, foi motivo de alegria para os moradores da comunidade, que não viam perspectivas de estudo para seus filhos, já que até então não havia nenhuma escola na comunidade.

Atualmente a Escola Marista de Ensino Fundamental Santa Marta atende gratuitamente a 900 crianças carentes, de Pré-Escola à 4ª série do Ensino Fundamental proporcionando aos seus alunos, num processo criativo e atualizado, atividades de: informática, horta, escolinha de futebol, aulas de música com percussão, teclado, violão e coral.

Através destas várias atividades, a escola busca integrar-se a comunidade valorizando a cultura, resgatando auto estima e minimizando a violência, as drogas e o preconceito que esta comunidade enfrenta em seu cotidiano.

Fonte: Site da Escola Marista Santa Marta